Da trajetória de Stefanie ao legado de Negra Li e ao impacto de Doechii, a sexta mostrou três formas distintas de o rap ocupar o festival

O primeiro dia do Lollapalooza 2026 mostrou que o rap não entra no festival por um caminho só. Na sexta-feira, Stefanie, Negra Li e Doechii ocuparam o line-up com shows bem diferentes entre si, mas atravessados por elementos que ajudam a entender a força do gênero dentro de um evento desse porte: trajetória, repertório, presença de palco e diálogo com diferentes gerações.
A apresentação de Stefanie teve um peso especial logo de saída. Aos 42 anos, a rapper fez sua estreia no Lollapalooza carregando consigo mais de duas décadas de caminhada no hip hop. O show passou por faixas como Bunmi, Mulher MC, Fugir Não Adianta e Por Um Fio, reafirmando o nome da artista dentro de uma história construída com consistência. A participação de Ieda Hills, uma das pioneiras do rap nacional, ampliou ainda mais esse sentido de continuidade e deu ao palco um encontro entre gerações.
Já Negra Li subiu ao Lolla com o peso de quem soma 30 anos de carreira e ajudou a abrir caminho para diferentes fases do rap brasileiro. Em entrevista ao Multishow, a artista já havia adiantado que o show apresentaria as músicas de O Silêncio Que Grita e traria uma homenagem a Elza Soares. No palco, a apresentação confirmou esse desenho. Antes de sua volta ao centro da cena, o DJ ainda costurou um repertório de referências que passou por RZO, Racionais MC’s, Dina Di, Sabotage, Lauryn Hill, Notorious B.I.G., Queen Latifah, Tupac, Dr. Dre e Snoop Dogg.
Quando retornou, Negra Li abriu com “Brasilândia”, recolocando o território e a vivência no centro do show. Foi uma apresentação que conectou origem, repertório e permanência. Também chamou atenção a maneira como a artista reforçou a importância da nova geração de mulheres da cena, mencionando nomes como Duquesa, Tasha & Tracie e AJULIACOSTA e reconhecendo a continuidade desse movimento dentro do rap.
No fim da noite, Doechii levou ao festival uma apresentação marcada por dança, impacto visual e forte resposta do público. A artista norte-americana apareceu no palco principal com um show que combinou presença física, linguagem corporal e construção estética. Em diferentes momentos, incorporou passos de vogue, twerk e batidas de funk, além de interagir em português com o público brasileiro. A inclusão de “Montagem Rabeta” no show foi um dos sinais mais claros dessa troca com a plateia local.
O cenário também teve papel importante na construção da apresentação, com tapetes espalhados pelo palco, tecidos leves ao fundo, pele de animal e ballet com leques, compondo uma atmosfera própria. Entre os momentos destacados do show, esteve ainda um trecho com clima de “Tarot” e uma colagem de C.R.E.A.M. do Wu Tang Clan. Mais do que uma performance centrada só nas músicas, Doechii apresentou um show pensado como imagem, movimento e presença.
Com Stefanie, Negra Li e Doechii, a sexta-feira do Lollapalooza mostrou três caminhos diferentes para o rap dentro do festival: a força da caminhada, o peso da história e o tamanho de um nome que hoje mobiliza público, estética e repertório em escala global.





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