No último dia do festival, FBC levou banda, protesto e fim de ciclo ao palco, enquanto Tyler voltou ao Brasil depois de 15 anos diante de um público que esperava por esse momento

Tyler, the Creator / Reprodução TV Globo
O domingo de rap no Lollapalooza 2026 reuniu dois nomes de dimensões bem diferentes, mas igualmente importantes no line-up do festival. De um lado, FBC levou ao palco o encerramento de uma fase da carreira, com banda e protesto no show. Do outro, Tyler, The Creator voltou ao Brasil depois de 15 anos em uma das apresentações mais aguardadas do evento.
No caso de FBC, o show apareceu como um marco dentro da própria caminhada do artista. O rapper mineiro apresentou o encerramento da fase de Assaltos e Batidas, com um formato de palco que apontou para novos caminhos. A presença de banda deu outro corpo à apresentação e reforçou a dimensão desse momento para o artista, que já vinha indicando mudanças no rumo da obra.
Além da música, o show também foi atravessado por um gesto político direto. Em um dos momentos mais comentados da apresentação, FBC subiu com a bandeira da Palestina e puxou o coro de “Palestina Livre”, levando o protesto para dentro do festival. A cena deu ao show um recorte que ultrapassou o repertório e ganhou repercussão entre o público.
Mais tarde, foi a vez de Tyler, The Creator subir ao palco e transformar o retorno ao Brasil em um dos acontecimentos do domingo. A apresentação marcou a volta do artista ao país depois de 15 anos, reacendendo lembranças que vêm desde sua passagem por aqui em 2011 com o Odd Future no SWU. Para quem acompanha essa trajetória há mais tempo, o show teve também esse peso de reencontro.
No festival, a presença de Tyler já era percebida antes mesmo da apresentação começar. Circularam pelo Lolla pessoas vestidas com referências a diferentes eras da carreira do artista, além de figurinos inspirados em sua estética, infláveis e outras intervenções que mostravam o tamanho do engajamento do público. O show, nesse sentido, não ficou restrito ao palco: ele se espalhou pelo ambiente do festival.
Essa resposta da plateia ajuda a dimensionar o lugar que Tyler, The Creator ocupa hoje na cultura. Ao longo dos anos, o artista construiu uma obra que ultrapassou o rap e passou a mobilizar também moda, comportamento, imagem e repertório visual. No Lollapalooza 2026, essa dimensão apareceu tanto na espera em torno do show quanto na forma como o público viveu o retorno do artista ao Brasil.
Com FBC e Tyler, The Creator, o domingo fechou o recorte de rap do Lollapalooza 2026 por dois caminhos distintos: um artista brasileiro apresentando mudança de fase e protesto no palco, e um nome internacional voltando ao país cercado de expectativa e mobilização do público.





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