Entrevista: Criolo fala sobre Hip Hop e Festival Timbre 2023

Agora é oficial: Depois de anunciar pouco a pouco a sua programação, o Festival Timbre fecha o seu line-up do ano com nomes como Maria Gadú, Armandinho, Criolo, BaianaSystem, Gilsons, Mariana Aydar & Chico César e Urias. O evento acontece nos dias 17, 23 e 24 de setembro, na Praça Sérgio Pacheco e na arena externa do Teatro Municipal de Uberlândia (MG). Tudo sob a temática da edição – se reconhecer no outro.

Trocamos uma ideia com o Criolo sobre Hip Hop e o Festival Timbre, confira!

1. Você tem 48 anos e nasceu praticamente junto com a cultura Hip Hop que acaba de completar 50 anos. Da época do Criolo Doido para os tempos atuais do Criolo, muita coisa mudou, não só na cena Hip Hop de maneira geral, mas na sua estética sonora também. Gostaria que você comentasse um pouco sobre essa transição do Criolo Doido para o Criolo de hoje. 

Cresci nesse berço cultural chamado zona sul de São Paulo, poderia dizer um pedaço do Brasil ou tudo do Brasil num canto só. De cada barraco, uma música, um sotaque,  ritmo e melodia diferentes, naquela favela desde 1977 até 1982 conviver com os vizinhos da viela, era conviver com o Brasil. Pessoas do Rio de Janeiro, outras de Pernambuco, meus pais do Ceará, alguém era da Bahia, então cresci ouvido todo tipo de música do Brasil e em algum momento isso se escancarou depois da visita do rap em minha vida e toda a auto estima que ele me proporcionou. Não houve mudança, houve oportunidade que o hip hop me ofereceu em ser eu mesmo nas minhas ideias e em seguida nas minhas origens de território e cultura.  Com o tempo, a oportunidade de trabalhar com músicos me deu uma potência maior. Mas sempre trazia cômico a canção, que por muitas vezes não era compreendida nem antes e nem depois.

2. Com esse seu amadurecimento sonoro, você ganhou um novo público que te leva para palcos como o do Festival Timbre, que é um festival que traz grandes nomes da música brasileira e tem um público que não é propriamente do Rap. Esse é o público que de fato você quis atingir desde o começo dessa sua nova era ou foi algo que acabou acontecendo naturalmente? 

Foi tudo natural. Eu só queria sobreviver com minha arte pagar umas contas em casa pra não me sentir tão um “nada”.   A música, o rap do Brasil, está em cada favelado isso é nosso!

3. Para o The Town você levou o Planet Hemp, firmando ainda mais Rap em seu show. Pro palco do Festival Timbre você vai levar alguma surpresa? Pode dar um spoiler dos que os fãs podem esperar da apresentação?

Vamos levar essa tour maravilhosa e tudo que aprendemos na estrada para o Festival Timbre.  Quando iniciamos uma tour ela está de um jeito, quando passasse um tempo na estrada essa estrutura naturalmente se melhora por dentro e por fora.  Os músicos são incríveis, a equipes técnica é incrível, dedicada e a equipe executiva faz tudo pra técnica e artística estar bem pra fazer o melhor show que possamos fazer para vocês todos com alegria e muita gratidão.

4. A última pergunta foi feita pelos fãs, a tropa quer saber: quais artistas de Rap você tem ouvido e o que acha da nova geração que faz Rap de mensagem?

Tenho escutado Yunk Vino, Shaodree, Ionder, que é um MC do Grajau, Janine Margais, de Curitiba, e o cantor Silva. Além acompanhar muitas edições da Batalha da Aldeia.

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