“Arte nas Águas de Minas”: Divinópolis celebra entrega de pinturas e transformação da paisagem urbana nesta quarta-feira (6)

Obras realizadas pela dupla goiana Bicicleta Sem Freio e pelos artistas locais Mika Ribeiro e William Pinguim transformaram a unidade da Copasa e a paisagem do bairro Interlagos; projeto também promoveu oficina para jovens em escola estadual da região

(Créditos da imagem: Natália Hare)

Cores, tintas, pincéis, olhares curiosos, perguntas e pedidos de foto. Quem passou pelo entorno da unidade da Copasa no bairro Interlagos, em Divinópolis, nas últimas duas semanas, percebeu que a rotina do espaço mudou. Desde o dia 28 de outubro, os muros do reservatório se tornaram a primeira “tela” de “Arte nas Águas de Minas”, projeto que une arte urbana, conscientização ambiental e desenvolvimento comunitário. A entrega de quase 250 metros de pinturas na unidade da Copasa em Divinópolis acontece nesta quarta-feira, dia 6 de novembro, às 16h, com a presença dos artistas participantes, de representantes da Copasa e da APPA. Gratuito e aberto ao público, o evento terá intérprete de Libras.

Abrindo o projeto, a cidade do Oeste mineiro recebeu como convidada a dupla goiana Bicicleta Sem Freio, formada por Douglas de Castro e Renato Pereira, e detentora de uma renomada carreira internacional, com murais em países como Espanha, Estados Unidos, Índia e Israel. Já entre os artistas locais foram selecionados Mika Ribeiro, residente da vizinha Itapecerica, e William Pinguim, natural e residente de Divinópolis. Os mineiros pintaram paineis individuais – que se conectaram em uma inspirada parceria – e coordenaram, juntos, uma oficina de pintura para alunos da Escola Estadual Lauro Epifânio.

Até outubro de 2025, “Arte nas Águas de Minas” leva arte urbana e conscientização ambiental a seis cidades do Estado: após Divinópolis, o projeto vai a Contagem, Araxá, Pouso Alegre, Montes Claros e Coronel Fabriciano. Ao todo, serão 18 artistas, sendo seis convidados pela curadoria e 12 selecionados por convocatórias públicas. A iniciativa é realizada pelo Ministério da Cultura e pela APPA – Cultura & Patrimônio, patrocinada pela Copasa e viabilizada pelo Governo Federal – União e Reconstrução, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet.

Conexão e formação

Para Ludmilla Ramalho, coordenadora de “Arte nas Águas de Minas”, a etapa de Divinópolis mostrou como a arte urbana é capaz de mudar a paisagem de uma cidade, gerando positivos impactos sociais. “É incrível ver como esses trabalhos transformaram a relação da comunidade com a rua, com o bairro. Antes mesmo das obras serem finalizadas, as pessoas interagiram com o ateliê aberto, entrando no espaço, pedindo para tirar foto com os artistas, perguntando sobre as obras, acompanhando os processos de criação. Foi-se criando uma conexão”, comentou.

Outra prova dessa interação com a população foi a oficina desenvolvida com alunos da Escola Estadual Lauro Epifânio, localizada do outro lado da Rua Doutor Francisco Salomé, onde também fica o reservatório da Copasa. Na última segunda-feira, 4 de novembro, Mika Ribeiro e William Pinguim apresentaram seu estilo para os jovens, que preencheram e criaram desenhos em um dos muros da escola. “Deu mais vivacidade para a escola, e os alunos gostaram muito de participar. Foi uma espécie de terapia para eles”, reforçou a diretora Nedina Maria Ferreira.

Gerente regional da Copasa, Madson Brandão destaca a presença da Companhia em Divinópolis, junto ao projeto “Arte nas Águas de Minas”, com ações de atendimento e suporte à comunidade. “Estivemos com o ‘carro pipinha’, oferecendo água para os artistas e alunos da oficina, e também com a Agência Móvel da Copasa, realizando atendimentos à população. E continuaremos com essas duas ações nesta terça (5) e quarta-feira (6)”, afirma, ressaltando que a unidade itinerante da Copasa no reservatório fará atendimentos das 8h às 17h. “Para Divinópolis, é muito importante receber esse projeto de fomento à arte e à consciência ambiental. É objetivo a Copasa valorizar a comunidade, com serviços e com projetos que embelezam a cidade”.

Pinturas e parcerias

Artista há 25 anos, com trajetória calcada no estilo do graffiti, William Pinguim assinou um painel intitulado “Plantando Água nas Montanhas”, que remonta ao caminho das águas do Brasil, mais especificamente de Minas Gerais. “Eu e Mika fizemos uma conexão entre nossos painéis, destacando as nascentes do Rio Pará e do Rio Itapecerica. O meu, traz meus personagens, meu estilo; o dela, com os grafismos e o estilo dela. Mas tudo em conexão”, conta o artista de Divinópolis. “Foi uma oportunidade muito boa de produzir um painel bonito para a cidade, homenageando a água, um bem natural tão importante”.

Com um trabalho voltado para referências do boho, do flat do e do contemporâneo, Mika Ribeiro assinou o painel “A História de Itapecerica”, em homenagem à cidade de seus pais, onde vive desde 2020. “É uma cidade que conserva bem o patrimônio do Estado. Então, quis trazer o artesanato, a cultura e a receptividade mineira, e também a natureza, o horizonte, as serras e, claro, as águas”, afirma. “A parceria com o Pinguim gerou frutos muito coloridos. São estilos diferentes, mas que tiveram uma conversa muito interessante. E o retorno da comunidade foi muito legal. Todo mundo oferecendo água, um cafezinho, agradecendo por estarmos colorindo o bairro”, completa a artista.

Os goianos do Bicicleta Sem Freio deixam três obras na unidade da Copasa: “Deságua”, “Sagui” e “Tucano”. Com uma mistura inconfundível de iconografia pop psicodélica, cores tropicais e um espectro de personagens surreais e maravilhosos, o trabalho da dupla explora temas como pós-existencialismo, cultura global e neotropicalismo. No caso das obras criadas para o projeto, a inspiração se deu na fauna e na flora local, atravessada pela água em seu conceito mais amplo.

“‘Deságua’ é inspirada pelo conceito de ‘lançar as águas’, seja de um rio ao mar ou para dar vazão a novas possibilidades. A palavra traz a ideia de movimento e transformação, como quando um rio deságua em um oceano, ou quando se retira água de um pântano. Esse simbolismo nos lembra da importância de soltar e seguir o fluxo, deixando que as energias fluam naturalmente”, afirma o artista Renato Reno, que também destaca as trocas com a comunidade e com os artistas locais. “A interação foi fantástica. Como somos de Goiânia, sentimos essa ligação próxima com a cultura de Minas, como se fôssemos primos culturais. Participar desse encontro e perceber o quanto as nossas raízes se entrelaçam foi muito especial”.

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