Quinta-feira, 3 de setembro de 2026
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TOKIODK atravessa a própria máscara para falar sobre amor, vulnerabilidade e recomeço em “Estilhaços & Cicatrizes (2º Ato)”

Segundo capítulo da trilogia aposta em uma abordagem intimista com participações de Vulgo FK, Anchietx, Carla Sol e Jenni

Se em “Infração (1 Ato)” TOKIODK abriu as portas para a própria história, em seu segundo ato o artista volta o olhar para dentro. Em “Estilhaços & Cicatrizes”, lançado pela Warner Music Brasil, ele transforma sentimentos, relações e marcas do passado em matéria-prima para um trabalho mais íntimo e vulnerável. O álbum aborda o amor e as cicatrizes deixadas por aquilo que um dia existiu, revelando um lado menos explorado de sua trajetória. Com participações de Vulgo FK, Anchietx, Carla Sol e Jenni, o projeto amplia essa narrativa e propõe uma jornada que revisita, de trás para frente, as experiências que moldaram o artista. (Ouça agora).

A chave para atravessar esse universo está na figura de uma máscara brilhante, símbolo do alter ego de TOKIODK que, para além de esconder, funciona como uma espécie de passagem. Sob a máscara, TOKIO encontra liberdade para dizer aquilo que, sem ela, talvez permanecesse guardado. 

Se “INFRAÇÕES (1 ATO)” era sobre contar quem ele é e tudo aquilo que o trouxe até aqui, “Estilhaços & Cicatrizes (2º Ato)” parte de uma pergunta mais silenciosa: o que existe por trás de tudo isso? A resposta aparece em forma de afeto, saudade, desejo, frustração e vulnerabilidade. É um TOKIO que continua sendo reconhecível, mas que agora permite que outras camadas ocupem o centro da narrativa.

A “Intro” funciona como a porta de entrada para um dos momentos mais íntimos: a sessão de terapia. Ali, frente a frente com sua psicóloga, TOKIODK dá o tom inicial para as próximas 6 faixas, construindo uma atmosfera de curiosidade e tensão e logo, mesmo querendo negar, revive uma lembrança em “Elevador”, com participação de Jenni, fazendo alusão a seu próprio estado emocional guiado por altos e baixos. 

Mas é a partir disso, com “Meu Amor É Seu”, que a narrativa mergulha diretamente no território da memória, olhando para trás antes que seja possível seguir em frente. Na sequência, “Pode Me Ligar”, com participação de Carla Sol, mantém o conflito do desejo e permanência, mas chega a um limite. Assim, “Ciclo Encerrado” mostra uma tentativa de transformar a ruptura em maturidade até encontrar a realidade. 

Em “Preciso Te Esquecer” feat Vulgo FK, é que a distância deixa de ser consequência e passa a ser necessidade, além de que esquecer aparece menos como uma decisão imediata e mais como um exercício –  cortar caminhos, interromper buscas e deixar de alimentar aquilo que já não cabe.

Ao longo de “Estilhaços & Cicatrizes  (2º Ato), TOKIODK transforma essas diferentes etapas em um retrato das contradições que acompanham uma despedida. Lembrar e querer esquecer. Sentir saudade e saber que é preciso partir. É justamente nessa contradição que a máscara ganha outro significado. Ela não é uma barreira entre TOKIO e o mundo, mas uma ferramenta para que ele consiga chegar mais perto de si mesmo. Sob o brilho do personagem, existe um artista disposto a experimentar uma vulnerabilidade que antes parecia difícil de assumir. O alter ego não apaga o artista — revela uma versão dele que estava protegida.

E quando a história parece finalmente encontrar seu ponto de encerramento, “Gênio Indomável”, com participação de Anchietx, surge como uma passagem. Depois de atravessar o amor, a perda e a necessidade de deixar para trás aquilo que já não cabe no presente, TOKIODK começa a olhar novamente para frente. A faixa encerra “Estilhaços & Cicatrizes (2º Ato)”, mas não encerra a história. Há algo ainda por acontecer.

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