Quinta-feira, 13 de agosto de 2026
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Maré recebe Festival DE FAVELAS em celebração aos 25 anos do Observatório de Favelas

Evento gratuito reúne intelectuais, artistas, lideranças comunitárias, pesquisadores e comunicadores para refletir sobre o presente e o futuro das favelas e periferias a partir de temas como democracia, cultura, direito, comunicação e tecnologia

Foto: AF Rodrigues

Em 2026, o Observatório de Favelas celebra 25 anos de atuação com um grande encontro que reúne pessoas, culturas e territórios. No dia 22 de agosto, o Festival DE FAVELAS – 25 anos acreditando nas potências dos territórios populares ocupa o Galpão Bela Maré com uma programação gratuita com mesas de diálogo, sessão de cinema, abertura de exposição, oficina e apresentações musicais. O evento celebra a trajetória da instituição e promove reflexões sobre o presente e os caminhos para o futuro das favelas e periferias.

A inspiração do Festival parte de uma imagem recorrente nas arquiteturas das favelas: o vergalhão que permanece exposto nas construções. Longe de representar algo inacabado, ele simboliza continuidade e a proposta de criar novas possibIlidades, de ir além. A imagem sintetiza o espírito da celebração: reconhecer o legado construído coletivamente ao longo dos últimos 25 anos e reafirmar o compromisso com os futuros que seguem sendo erguidos a partir das potências dos territórios populares.

“Essa comemoração também é um gesto de gratidão e de responsabilidade. Gratidão por tudo o que foi construído coletivamente e responsabilidade por seguir ampliando esse legado. Por isso, o Festival parte da imagem do vergalhão exposto nas construções das favelas: uma estrutura que anuncia continuidade. A base existe porque muitas pessoas a construíram, mas ela permanece aberta para que outras gerações possam seguir erguendo novos andares dessa história”, afirma Isabela Souza, que integra a diretoria do Observatório de Favelas ao lado de Elionalva Sousa, Priscila Rodrigues e Raquel Willadino. A atual direção da instituição é composta integralmente por mulheres.

Reunindo grandes vozes da produção intelectual, artística, cultural e política das periferias, o Festival promove uma programação que articula diferentes atividades abertas e gratuitas ao público. Entre mesas de diálogo, oficina, sessão de cinema, exposição e atrações musicais, o evento aborda temas como democracia, direito à cidade, cultura, memória, comunicação, participação social e produção de conhecimento a partir das favelas e periferias.

Fundado em 2001, na Maré, o Observatório de Favelas tornou-se referência nacional e internacional na produção de conhecimento, formação, comunicação, incidência política e ações culturais voltadas ao fortalecimento das favelas e periferias brasileiras. Ao longo de sua trajetória, consolidou uma perspectiva que reconhece esses territórios como espaços de criação, produção de conhecimento e transformação social. Para os próximos anos, o desafio é ampliar ainda mais o protagonismo de quem vive nesses territórios e fortalecer a diversidade de vozes capazes de construir novos olhares sobre suas realidades.

“Quando eu penso nos próximos 25 anos, espero que moradores de favelas e periferias estejam cada vez mais produzindo suas próprias narrativas, contando suas próprias histórias e apresentando outras perspectivas. Que tenhamos cada vez mais pessoas negras, LGBTs, faveladas, periféricas, indígenas e pessoas com deficiência narrando a própria realidade e rompendo, todos os dias, com a narrativa única e com os estereótipos construídos sobre esses territórios” comenta Priscila Rodrigues.

Programação

A programação tem início com uma sessão especial do CineBela, cineclube do Galpão Bela Maré, que apresenta a animação Como Mágica, dirigida por Nathan Greno. Após a exibição, Pietra Mesquita e Ysake Rosa participam de um bate-papo com o público sobre os temas abordados pelo filme, ampliando a reflexão sobre convivência, diversidade e construção coletiva.

Ainda pela manhã, o artista e pesquisador Thiago Britto ministra a oficina "A tecnologia da imaginação", que propõe uma experiência de criação a partir das memórias, afetos e repertórios dos participantes. Por meio da escrita, do desenho e da fotografia, a atividade investiga como a inteligência ancestral e as narrativas visuais podem fortalecer os vínculos com o território e ampliar as possibilidades de imaginar futuros.

Entre os destaques da programação está também a abertura da exposição "Tudo começa pelo território", concebida especialmente para celebrar os 25 anos do Observatório de Favelas. Em uma parceria entre o Galpão Bela Maré e o Programa Imagens do Povo, iniciativas da instituição, a mostra reúne fotografias, obras audiovisuais e trabalhos de artistas, fotógrafas, fotógrafos, pesquisadores e realizadores que integram o acervo construído pela instituição ao longo de sua trajetória. Com curadoria de Ana V. Lopes e Monara Barreto, a exposição apresenta trabalhos de AF Rodrigues, Ana Bia Novais, Arthur Viana, Caio França, Diego Reis, Elisângela Leite, Francisco Valdean, Gabe Ferreira, Patricia Dias Belaestilosa, Ratão Diniz e Thanis Parajara.

Ao longo da tarde, o público poderá acompanhar três mesas de diálogo dedicadas a temas que atravessam a trajetória do Observatório de Favelas e os desafios contemporâneos das favelas e periferias. Os encontros reúnem intelectuais, artistas, lideranças comunitárias, pesquisadores e representantes de movimentos sociais para discutir organização coletiva, democracia, direitos, cultura, memória e produção de narrativas.

A primeira mesa, "Mutirão: a força do fazer junto", discute o papel da organização coletiva na construção dos territórios populares. Em seguida, "Bem-viver, território e democracia" aborda temas como cuidado, justiça social, participação democrática e direito à cidade. Encerrando a programação de debates, "Inventar futuros: cultura, memória e produção de narrativas" reúne diferentes perspectivas sobre o papel da arte, da comunicação e da memória na valorização das favelas e na construção de novos imaginários para esses territórios.

Entre os convidados confirmados para os diálogos estão Ana Santos, Dauá Puri, Ricardo Henriques , Eliana Sousa,  Aliã Wamiri Guajajara, Ana Carolina Lourenço, Marcelle Decothé, Akili Ribeiro, Silvana Bahia, Paulo Andrade, Rapha Vicente e Francisco Valdean, com mediação de Junior Pimentel, Raquel Willadino e Anna Luisa Oliveira.

Encerrando a programação, o Festival promove uma grande celebração musical com roda de samba do Grupo Arruda, seguida de um set da DJ Bieta. Aberta ao público, a festa reforça a cultura como espaço de encontro, convivência e fortalecimento dos vínculos comunitários.

O Festival De Favelas conta com o apoio da Fundação Tide Setubal, patrocínio do Instituto Unibanco e realização do Observatório de Favelas.

SERVIÇO | Festival DE FAVELAS – 25 anos acreditando nas potências dos territórios populares

Data: 22 de agosto de 2026 (sábado)

Horário: A partir das 10h

Local: Galpão Bela Maré

Endereço: Rua Bittencourt Sampaio, 169 – Nova Holanda, Maré – Rio de Janeiro (RJ)

Entrada: Gratuita

Programação

10h - CineBela apresenta a animação Como Mágica, de Nathan Greno, seguida de bate-papo com Pietra Mesquita e Ysake Rosa

11h às 13h  - Oficina "A tecnologia da imaginação", com Thiago Britto.

14h00 - “Abrindo os trabalhos” Saudação da Diretoria (Elionalva Sousa, Isabela Souza, Priscila Rodrigues e Raquel Willadino)

14h00 - Abertura da exposição "Tudo começa pelo território".

14h às 15h30 - Roda de conversa: Mutirão: a força do fazer junto

15h30 - Roda de conversa: Bem-viver, território e democracia

17h - Roda de conversa: Inventar futuros: cultura, memória e produção de narrativas 

18h30 - começo-meio-começo - Saudação dos fundadores (Jailson Sousa e Jorge Barbosa)

19h - Celebração musical | Roda de samba com Grupo Arruda | Set da DJ Bieta

Exposição

Tudo começa pelo território

Período: 22 de agosto a 26 de setembro de 2026

Visitação: Terça a sábado, das 10h às 18h

Local: Galpão Bela Maré

Entrada gratuita

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