Ator e cantor carioca constrói trajetória guiada por processo criativo, linguagem e escolhas autorais

Créditos: @cabritoselvageminc
Felipe Nagy faz parte de uma nova geração de artistas brasileiros que não se limita a uma única linguagem. Ator e cantor carioca, ele vem construindo sua trajetória a partir do cruzamento entre atuação, música e uma visão consciente de carreira, na qual o processo criativo importa tanto quanto o resultado final. Atualmente, integra o elenco da série Donos do Jogo (Netflix) e do longa Agentes Muito Especiais, ao mesmo tempo em que desenvolve sua identidade musical dentro do R&B brasileiro contemporâneo.
A atuação foi o primeiro território onde Nagy entendeu que a arte seria seu caminho. Ainda adolescente, ingressou na Escola de Atores Wolf Maia, experiência que funcionou como um divisor de águas. “Nas primeiras semanas eu já vi e falei para mim mesmo que era isso que eu queria fazer para o resto da vida: arte, me expressando e usando a minha singularidade como ferramenta de comunicação”, relembra. Formado no tablado, ele passou a enxergar o corpo, a voz e a presença como instrumentos narrativos, algo que hoje atravessa também sua música.
No cinema, Nagy integra o elenco de Agentes Muito Especiais, filme inspirado em uma ideia original de Paulo Gustavo, com roteiro de Fil Braz (Minha Mãe é Uma Peça) e direção de Pedro Antonio Paes. No longa, interpreta Jofre, policial de destaque da academia da corporação fictícia do filme, papel que exigiu uma preparação intensa e inédita em sua trajetória. “Eu nunca tinha passado por algo assim. Tive treinamento com policiais, manuseio de armas e trabalho com dublês — situações que você nunca imagina viver na vida real”, conta. Para o ator, esse contato direto com a prática foi essencial para dar verdade ao personagem e sustentar a credibilidade em cena.
Paralelamente à atuação, Felipe Nagy desenvolve sua carreira musical com a mesma atenção ao processo. Como cantor e compositor, soma 16 faixas lançadas e vem se destacando no R&B brasileiro ao unir brasilidade, poesia direta e uma estética contemporânea. Seu maior sucesso nas plataformas, “Ventilador”, ultrapassou 150 mil reproduções no Spotify e integra playlists como R&B Brasil e Fresh Finds. Em seu trabalho mais recente, o single “Ipê”, Nagy explora o R&B como linguagem afetiva, íntima e sensorial, usando metáforas e groove para falar de pertencimento e conexão.
Para ele, música e atuação não são caminhos separados, mas extensões de uma mesma busca expressiva. “Eu nunca penso em personagem ou música pelo tamanho ou pelo lugar que isso ocupa. Pra mim, é muito mais sobre o projeto, sobre o que aquela história está contando e quem está envolvido”, reflete. Essa visão se reflete em suas escolhas e no modo como constrói sua trajetória, sempre atento ao sentido coletivo das obras que integra.
Em um cenário artístico cada vez mais fragmentado, Felipe Nagy se destaca por entender carreira como construção de linguagem e identidade. Entre o set, o palco e o estúdio, ele consolida um percurso guiado menos por rótulos e mais por coerência criativa. Um artista em movimento, atento ao presente e interessado no que ainda pode ser criado.





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