“O Amanhã” reafirma ponte histórica entre rap e samba em nova faixa de Ninas Lima com Predella

Single aborda espiritualidade, escolhas e fé na caminhada, unindo beats de rap à cadência do samba com produção de Vini Barcellos


Créditos: Bessa Films

A interseção entre rap e samba, dois dos gêneros mais potentes da música negra e periférica brasileira, ganha novos contornos no single “O Amanhã”, da cantora e compositora Ninas Lima em parceria com o rapper Predella, ex-Costa Gold. Com produção de Vini Barcellos, a faixa costura elementos do samba tradicional com a métrica do rap contemporâneo, atualizando uma tradição iniciada por nomes como Rappin’ Hood, Marcelo D2 e, mais recentemente, Criolo e Emicida. Faça o pré-save de “O Amanhã” e assista ao clipe no canal do YouTube da Ninas Lima.

“O Amanhã” apresenta uma estética híbrida: entre o batuque e o boom bap, entre os pontos de encruzilhada e as rimas de sobrevivência. A canção faz parte de uma linhagem que entende a música como extensão da vida nas favelas, nos terreiros e nas batalhas diárias por futuro — com fé e lirismo como principais armas.

“O amanhã é incerto, duvidoso, mas também é carregado de fé. E a fé é inimiga da dúvida. Por isso, o melhor que se tem a fazer é acreditar no futuro, que ele reserva o que é de cada um. No meio de tantas incertezas da vida, temos a certeza de que o Sol se levanta todo dia. A música ‘O Amanhã’ é para lembrar disso, é de superação e força”, explica Ninas Lima.


Frame do clipe

Com letra escrita por Ninas e Predella, a faixa é construída como um diálogo entre dois mundos que se reconhecem: o canto melódico e espiritual de Ninas e os versos de rua de Predella. O rapper traz referências à vida no morro, à repressão policial, aos orixás e à malandragem — tudo isso com o flow característico de sua trajetória no rap nacional. A produção de Vini Barcellos mistura timbres orgânicos e digitais, costurando um instrumental que respeita a ancestralidade do samba ao mesmo tempo em que entrega punch e groove. 

“Predella e eu temos em comum o Rap, o Samba, a religião e a facilidade de expressar tudo isso com emoção e verdade. E ainda descobrimos juntos grande afinidade artística e de parceria, o que resultou em mais projetos”, destaca Ninas sobre a identificação artística com Predella como parte fundamental do resultado final.

O videoclipe da música, dirigido pela Bessafilms, reforça a visualidade urbana e simbólica da faixa, com produção executiva de Rafaelmeunome, figurino assinado por Gabi Matis, maquiagem de Rachel Rinco e fotografia da própria Bessafilms. “No dia da gravação do clipe, todas as pessoas envolvidas entraram em sintonia, fato que tornou o resultado ainda mais bonito. Eu nunca tinha feito um clipe assim em São Paulo, com stylist, maquiadora, locação, uma produção inteira… fiquei bastante ansiosa no início — artista independente tem que organizar e pensar em tudo ao mesmo tempo — mas fui muito bem amparada de todos os âmbitos e deu tudo certo”, comenta Ninas.

A ligação de Ninas com o samba vem desde a infância: “Minha relação com o Samba vem de tempos, conheci através da minha mãe, ela tinha um CD do Martinho da Vila e sempre teve como inspiração o Zeca Pagodinho. Treinei muito o ouvido na companhia dela, quando saí de casa para estudar, logo no segundo semestre já fui convidada a entrar numa banda só de mulheres cheias da intenção de muito Samba raiz, amizade e história. Aprendi muito nesse período, foi uma fase de crescimento pessoal e profissional.”

A tradição da mistura

Desde os anos 1990, artistas brasileiros têm promovido encontros entre o rap e o samba como forma de expressar suas raízes e desafiar rótulos. Rappin’ Hood foi um dos primeiros a fazer isso de forma consciente e política, seguido por Marcelo D2, que consolidou a proposta no mainstream. A partir da década de 2010, nomes como Criolo, Emicida e BK’ passaram a incluir o samba como elemento central de suas obras, ampliando o alcance da fusão e revalorizando sonoridades nacionais.

“O Amanhã” surge dentro dessa continuidade — mas com uma assinatura própria, feminina e espiritualizada. Ninas Lima transforma a travessia em melodia, reafirmando que, mesmo diante do caos, a fé, a arte e o Sol seguem nascendo.

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